sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Surdo, jamais.

Dirigindo à caminho de casa, Simão, pai de família e bom esposo, escondia de seus amados um costume condenável por sons, sentia-se sinestético. Ouvia ruídos do rádio, das palavras de seus acompanhantes e tudo aquilo fartava o vício imensurável, até o momento.
Conflito de carros. Rodas ao relento do ar, partes tão distintas agora se encontrando na dança da morte. O carro de Simão voa - o carro realiza seu sonho, quebra-se e morre feliz - ao olhar para o lado o homem vê sua prole dilacerada e sua mulher em posição profana, agora era ele e o som.
Os correspondentes ao acidente já não o saciavam, até que então percebe o corrosivo som do fogo que delimitaria sua vida, dificilmente gozou ao ouvir gritos de desespero.
Seu último momento. Esticou o braço como pode, aumentou o volume do rádio.Escutou e deixou de escutar...


"Reflitamos"

Rasgação de sedas

Rasgação de sedas